Campo transversal e novas hierarquias científicas
o caso do IPCC
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https://doi.org/10.20336/rbs.1011Palavras-chave:
transversalismo, ciência, mudanças climáticas, IPCC, pesquisa climáticaResumo
A relação entre cientistas e não cientistas dentro dos principais espaços de pesquisa tem mobilizado historicamente a sociologia da ciência. No caso das mudanças climáticas, essa temática também tem grandes implicações. Diversos cientistas sociais tem discutido como agentes não científicos tem interferido na produção de conhecimentos sobre mudanças climáticas. A perspectiva do transversalismo, desenvolvida por Terry Shinn, pode ser de extrema valia nesse debate. O caso do IPCC fornece um bom exemplo de um novo modelo de atuação científica, em que os mecanismos de filiação e reconhecimento institucional demandam uma capacidade de efetividade produtiva e concorrencial ainda mais incisiva do que nos sistemas hierárquicos tradicionais. Dotado de um sistema reputacional próprio e transversal, o IPCC teria o potencial de reformular as hierarquias científicas e políticas a partir de um sistema de competências aberto e em renegociação. Neste trabalho discutimos as diferentes vertentes analíticas que estudam o IPCC, muitas delas ligadas a perspectiva da coprodução entre setores políticos e científicos e outras mais próximas da sociologia relacional de Bourdieu. Ao final procurou-se apontar as potencialidades da visão do transversalismo para o entendimento da dinâmica de funcionamento do Painel.
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