Fab labs podem ser uma infraestrutura para um movimento social geograficamente distribuído?

Visualizações: 0

Autores

  • Rafael Malhão Universidade Federal do Rio Grande do Sul

DOI:

https://doi.org/10.20336/rbs.989

Palavras-chave:

Movimentos Sociais, Ação Coletiva, Tecnologia, Fab Lab, Sociologia da Tecnologia

Resumo

O texto a seguir tem como problema central a relação entre movimentos sociais e tecnologia. Na primeira parte, apresento um breve histórico do surgimento dos fab labs e a constituição de redes mundiais deste movimento, bem como seus princípios e objetivos. Em seguida, entra em debate como se constituiu uma relação tensa entre tecnologia e ação coletiva, em que, via de regra, as pessoas se organizavam coletivamente para resistir aos efeitos de alguma nova tecnologia; mas esta não é a única relação possível entre tecnologia e ação coletiva. Por fim, coloca-se a questão de pensar o impacto de infraestruturas técnicas nas formas de organização e de abordagem das lutas sociais, em especial quando estas infraestrutras técnicas são o resultado de políticas públicas de inclusão fomentadas pelo Estado, algo pouco recorrente na origem de ações coletivas.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Rafael Malhão, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Doutor em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), pós-doutorando no programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Referências

Akrich, Madeleine. (2014). Como descrever os objetos técnicos? Boletim Campineiro de Geografia, 4 (1), 161-182. https://doi.org/10.54446/bcg.v4i1.147

Anderson, Chris. (2012). Makers: a Nova Revolução Industrial. Elsevier.

Bastini, Aaron. (2023). Comunismo de luxo totalmente automatizado. Autonomia Libertária.

Bookchin, Murray. (2010). Ecologia Social e outros ensaios. Achiame.

Campos, Paulo Eduardo F., & Dias, Henrique José dos S. (2018). A insustentável neutralidade da tecnologia: o dilema do movimento maker e dos fab labs. Liinc em Revista, 14(1), 33-46. https://doi.org/10.18617/liinc.v14i1.4152

Castells, Manuel. (2013). Redes de indignação e esperança: movimentos sociais na era da internet. Zahar.

Clausewitz, Carl von. (2017). Da Guerra. Martins Fontes.

Coeckelbergh, Mark. (2023). Ética na inteligência artificial. São Paulo, Ubu Editora.

Crary, Jonathan. (2023). Terra arrasada: além da era digital, rumo a um mundo pós-capitalista. Ubu Editora.

Dagnino, Renato. (2010). Tecnologia social: ferramenta para construir outra sociedade. Komedi.

Dardot, Pierre, & Laval, Christian. (2017). Comum: ensaio sobre a revolução no século XXI. Boitempo.

Dias, Rafael, & Smith, Adrian. (2018). Making in Brazil: can we make it work for social inclusion? Journal of Peer Production, 12(1), 43-59.

Foucault, Michel. (1999). Em defesa da sociedade: curso no Collège de France (1975-1976). Martins Fontes.

Gershenfeld, Neil. (2005). Fab. The coming revolution on your desktop – from personal computers to personal fabrication. Basic Books.

Gershenfeld, Neil. (2012). How to make almost anything: the digital fabrication revolution. Foreign Affairs, 91(6), 43-57.

Gershenfeld, Neil, Gershenfeld, Alan, & Cutcher-Gershenfeld, Joel. (2017). Fab-designing reality: how to survive and thrive in the third digital revolution. Basic Books.

Gohn, Maria da Glória. (2011). Movimentos sociais na contemporaneidade. Revista Brasileira de Educação, 16(47), 333-61. https://doi.org/10.1590/S1413-24782011000200005

Gohn, Maria da Glória, & Bringel, Breno M. (orgs.). (2012). Movimentos sociais na era global. Petrópolis, Vozes.

Himanen, Pekka. (2001). A ética dos hackers: e o espírito da era da informação. Campus.

Hobsbawm, Eric. (2009). A era das revoluções 1789 – 1884. Paz e Terra.

Hughes, Thomas. P. (2008). La evolución de los grandes sistemas tecnológicos. In: H. Thomas, & A. Buch. Actos, actores y artefactos: sociología de la tecnología. Universidad Nacional de Quilmes.

Illich, Ivan. (2006). Obras reunidas I. FCE.

Jarrige, François. (2014). Technocritiques: du refus des machines à la contestation des technosciences. Éditions La Découverte.

Lave, Jean, & Wenger, Etienne. (1991). Situated learning: legitimate peripheral participation. Cambridge University Press.

Lorde, Audre. (2019). Idade, raça, classe e gênero: mulheres redefinindo a diferença. In: H. B. de Hollanda (org). Pensamento feminista: conceitos fundamentais. (pp. 239-250). Bazar do Tempo.

Malhão, Rafael. (2022). Como pensar o design aberto e os fab labs politicamente a partir de uma perspectiva simondoniana. Ideias, 13, e022009. https://doi.org/10.20396/ideias.v13i00.8668121

Marx, Karl. (2013). O Capital: crítica da economia política. O processo de produção do capital. Vol. 1. Boitempo.

Mauss, Marcel. (2003). Sociologia e antropologia. Cosac Naify.

Oroza, Ernesto. (2015). Catálogo da exposição Desobediência Tecnológica. Recife. Disponível em: <http://museo.com.br/catalogodesobedienciatecnologica.pdf>. Acesso em: 15 mar. 2018.

Padilla, Margarita et al. (2017). Soberanía tecnológica. Vol 2. Calafou.

Rifkin, Jeremy. (2016). Sociedade com custo marginal zero: a internet das coisas, os bens comuns e o eclipse do capitalismo. M. Books do Brasil.

Rossi, Dorival C., Gonçalves, Juliana Aparecida J., & Moon, Rodrigo Malcolm de B. (2019). Movimento maker e fab labs: design, inovação e tecnologia em tempo real. UNESP/FAAC.

Schumacher, Ernst F. (1983). O negócio é ser pequeno: um estudo de economia que leva em conta as pessoas. Zahar.

Silva, Marcelo K., & Pereira, Matheus M. (2020). Movimentos e contramovimentos sociais: o caráter relacional da conflitualidade social. Revista Brasileira de Sociologia, 8(20), 26-49. https://doi.org/10.20336/rbs.647

Simondon, Gilbert. (2017). Sobre a técnica: 1953-1983. Cactus.

Simondon, Gilbert. (2020). Do modo de existência dos objetos técnicos. Contraponto.

Smith, Adrian. (2017). Innovación social, democracia y makerspaces. Revista Española del Tercer Sector, (36), 49-74.

Smith, Adrian, Fressoli, Mariano, Abrol, Dinesh, Arond, Elisa, & Ely, Adrian. (2017). Grassroots innovation movements. Routledge.

Söderberg, Johan. (2013). The unmaking of the working class and the rise of the Maker. Social Network Unionism. https://snuproject.wordpress.com/2013/01/04/the-unmaking-of-the-working-class-and-the-rise-of-the-maker-re-public/

Thompson. Edward P. (1987). A formação da classe operária inglesa. Vol I: A árvore da liberdade. Paz & Terra.

Tilly, Charles, Castañeda, Ernesto, & Wood, Lesley J. (2020). Social movements, 1768-2018. Routledge.

Walter-Herrmann, Julia, & Büching, Corinne. (eds). (2013). FabLab: of machines, makers, and inventors. Transcript-Verlag.

Winner, Langdon. (2017). Artefatos têm política? Analytica, 21(2), 195-218.

Wright, Ronald. (2007). Uma breve história do progresso. Record.

Downloads

Publicado

01/24/2025

Como Citar

Malhão, R. (2025). Fab labs podem ser uma infraestrutura para um movimento social geograficamente distribuído?. Revista Brasileira De Sociologia - RBS, 13, e-rbs.989. https://doi.org/10.20336/rbs.989

Edição

Seção

Artigos