A sociedade da saúde mental
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https://doi.org/10.20336/rbs.1200Palavras-chave:
saúde mental, sociedade contemporânea, autonomia, linguagemResumo
Neste ensaio inédito, baseado em La société du malaise, Alain Ehrenberg argumenta que a saúde mental constitui sociologicamente menos uma exigência de saúde do que uma linguagem para expressar conflitos e tensões próprios das sociedades contemporâneas, nas quais a autonomia se tornou uma norma social. Para expor sua perspectiva descritiva, Ehrenberg inicialmente refuta o que denomina abordagens normativas, segundo as quais os problemas de saúde mental na atualidade residem no enfraquecimento dos laços sociais e no aumento do individualismo. Em seguida, Ehrenberg aborda as representações coletivas da autonomia individual. Para o autor, entre o pós-guerra e os anos 1970, no contexto ainda da sociedade disciplinar, a autonomia era uma aspiração coletiva; a partir da década de 1980, ela se torna uma condição comum. Dessa forma, se na sociedade disciplinar a patologia é associada à culpabilidade, na sociedade da autonomia ela se expressa por meio da incapacidade de ação, o que implica uma transformação da perspectiva tradicional da psiquiatria em direção à sociedade da saúde mental. Por fim, em oposição à perspectiva sociológica dominante fundamentada na ideia de patologia social, o autor sustenta que, na sociedade da autonomia, a saúde mental é uma linguagem utilizada tanto para enunciar e comunicar aspectos positivos e negativos da vida em sociedade quanto para compreender os males pessoais como problemas sociais comuns e agir sobre eles.
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