Deslocando enquadramentos: coletivos de favelas em ação na pandemia

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20336/rbs.839

Palavras-chave:

favelas, coronavírus, potência

Resumo

Este artigo descreve e analisar as múltiplas ações que moradores de favelas do Rio de Janeiro, através de suas organizações e coletivos, estão realizando no sentido de enfrentar os efeitos do novo coronavírus nesses territórios. Propomos pensar esse processo de articulação e mobilização no contexto pandêmico como produzindo deslocamentos dos sentidos historicamente atribuídos aos habitantes dessas localidades. Com isso, buscamos compreender como ações voltadas para doação de alimentos, comunicação comunitária, produção local de painéis informativos e outras iniciativas compõem um conjunto multifacetado de experiências que, de alguma forma, reivindicam e expressam as variadas potências de vida existentes nesses territórios.

Biografia do Autor

Sonia Fleury, Fundação Oswaldo Cruz

Doutora em Ciência Política, pesquisadora Sênior do Centro de Estudos Estratégicos (CEE/FIOCRUZ) e coordenadora do Dicionário de Favelas Marielle Franco do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT/FIOCRUZ).

Palloma Menezes, Universidade Federal Fluminense

Doutora em Sociologia, professora do Departamento de Ciências Sociais da UFF e pesquisadora do ICICT/FIOCRUZ.

Alexandre Magalhães, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Doutor em Sociologia, professor do Departamento de Sociologia e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFRGS e pesquisador do ICICT/FIOCRUZ.

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Publicado

31-12-2021

Edição

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Artigos