Interpretações institucionalistas sobre as transformações dos capitalismos brasileiros

da pretensão neodesenvolvimentista à predação

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20336/rbs.836

Palavras-chave:

instituições, Estado, mercado, corporações, neoliberalismo

Resumo

O artigo discute como abordagens institucionalistas têm contribuído para a produção de novos entendimentos acerca das reconfigurações do capitalismo. O foco recai sobre a produção política de mudanças institucionais que ensejaram novas dinâmicas de acumulação em três setores-chave da economia brasileira: agricultura, mineração e transporte aéreo. A partir do exemplo desses setores, demonstra não apenas a coexistência da racionalidade neoliberal com as políticas de cunho neodesenvolvimentista, sugerindo pluralismo institucional, mas também o reforço institucional que vem sendo conferido a lógicas predatórias de acumulação. Finalmente, aponta para a necessidade de as abordagens institucionalistas prestarem mais atenção ao modo como as corporações passaram a atuar como um elemento disruptivo não apenas da regulação estatal e do controle social, mas também do pretenso equilíbrio de mercado.

Biografia do Autor

Paulo André Niederle, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Professor do Programa de Pós-Gradução em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Rodrigo Salles Pereira dos Santos, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Professor do Programa de Pós-Gradução em Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro

Cristiano Fonseca Monteiro, Universidade Federal Fluminense

Professor do Programa de Pós-Gradução em Sociologia da Universidade Federal Fluminense, Rio de Janeiro

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Publicado

2021-09-01